Baixe o navegador Firefox!
Projeto Coração
de Estudante

13 de dezembro de 2010

falar de improviso

Falar de improviso
por Marina Rosenfeld

Falar de improviso não significa apenas discorrer sobre um assunto desconhecido, ou ser convidado de surpresa para discursar, como muitos imaginam. É, sim, desenvolver o ra-ciocínio enquanto se expressa -- com ou sem planejamento anterior. Segundo o professor Reinaldo Polito, considerado um dos maiores especialistas brasileiros na arte de falar em público, existem quatro formas de improviso. Na primeira, que ele chama de “esquema mental”, o orador divide a apresentação em partes, para que os pontos sejam lembrados com mais facilidade. A segunda é o “improviso planejado com auxílio de um roteiro escrito”, em que a pessoa escreve uma seqüência de frases, lê e comenta o assunto com o público.

Também há o “improviso planejado com o auxílio do cartão de notas”. Nesse caso, a idéia é escrever uma série de palavras-chave em um pedaço de papel do tamanho da palma da mão. Assim é possível bater os olhos e ficar sabendo se a seqüência está sendo seguida corretamente. “O roteiro escrito dá segurança e liberdade para que o raciocínio seja desenvolvido”, diz Polito. “O apresentador, no entanto, deve deixar claro para o público que está olhando as notas, ou poderá soar artificial.” O quarto e último tipo de improviso, o “inesperado” -- que geralmente acontece durante encontros informais, reuniões ou eventos -- é o que cria mais insegurança, de acordo com Polito.

A seguir, o professor dá algumas dicas de como fazer bonito diante dessas situações delicadas.

Demonstre segurança – Comece a apresentação falando sobre um assunto que você domina. Cite experiências, viagens, cenas de filme, enfim, algo que tenha a ver com o assunto que está sendo desenvolvido. Assim você se sentirá confortável, e mais seguro, diante da platéia. O objetivo é mostrar às pessoas sua familiaridade com o tema em questão.

Previna-se - Tenha sempre em mente pelo menos três assuntos que possam ser usados em qualquer ocasião. Na hora do aperto, escolha o que se encaixa melhor com o momento e a platéia.

Saiba com quem está falando – Por mais que seja difícil saber o perfil do público quando você é chamado para falar de surpresa, o ideal é que conheça pelo menos um pouco sobre aquelas pessoas. Se não, tente fazer uma leitura rápida da platéia e ajustar a apresentação de acordo com o que supostamente irá chamar mais atenção. Afinal, cada grupo tem suas próprias características e expectativas, que precisam ser consideradas.

Seja breve – É fato. Quanto menos você fala, menores as chance de você errar ou cometer gafes.

Relaxe – É natural ficar tenso nos momentos em que você é pego no contrapé. A boa notícia é que, segundo Polito, na maioria das vezes o público nem percebe seu nervosismo. “Não adianta se preocupar muito com planejamento, postura ou conteúdo. Lembre-se de que você está ali para resolver um problema”, diz ele. “Apresentando-se com naturalidade, você irá se sentir mais confiante e certamente sua contribuição será mais eficiente.

Bata um papo com a platéia - O pior erro que os oradores costumam cometer diante de uma situação em que são obrigados a improvisar é mudar de postura e demonstrar muita formalidade. Isso acaba criando constrangimento e fazendo com que a platéia demonstre desinteresse. Polito dá algumas dicas para evitar que isso aconteça. Uma delas é movimentar-se. Outro é certificar-se de que seu semblante, um dos aspectos mais importantes da expressão corporal, está coerente com suas palavras. “Não demonstre seriedade ao falar sobre coisas alegres, por exemplo”, diz.

Seja bem-humorado – Oradores ranzinzas dificilmente conseguem manter a atenção dos ouvintes. Portanto, se o assunto permitir e o ambiente for favorável, use sua presença de espírito para tornar a apresentação mais leve e descontraída. Mas cuidado para não exagerar. “O apresentador que fica o tempo todo fazendo gracinhas pode perder a credibilidade”, afirma o professor.

Fale com emoção – Apresentações bem-sucedidas demandam energia, entusiasmo e emoção. Os ouvintes não demonstrarão interesse pela mensagem se nem mesmo você demonstra envolvimento pelo assunto.

Não confie na memória – Se a ocasião permitir, organize seus pensamentos antes de começar a falar, nem que seja por 15 minutos. Durante esse período, tome nota de algumas palavras-chave. Isso evita que você se perca no meio do caminho e lhe dá mais segurança para continuar. Decorar, no entanto, só dificulta a improvisação.

Fale corretamente – Alguns equívocos gramaticais não chegam, é claro, a arruinar sua apresentação. Erros grosseiros, porém, podem prejudicar sua imagem e a da instituição que você representa. A platéia pode duvidar de sua formação, cultura e, pior, de sua competência.

Não fale sobre o que não sabe - Caso seja chamado para falar sobre algo que não conhece, que você não tem informações a respeito ou que esteja totalmente fora do seu campo de atuação, simplesmente recuse o convite.

Facebook() Blogger(0)